De férias finalmente!
Esta coisa da crise teve a virtude de nos fazer reinventar formas de lazer à muito abandonadas, e estou a dar por mim a fazer cada vez mais piqueniques à moda antiga, com a merenda, preparada de véspera.
Dia 10 de Junho saímos de manhã, em caravana ordeira com a malta do CPM em direcção à Pia do Urso onde estava combinado mais um piquenique, e foi mais um daqueles momentos que me fazem sempre pensar, o que estaria a fazer naquele momento, se um dia não tivesse aprendido a andar de scooter…
A Pia do Urso que visitei pela 1ª vez à 2 anos está a precisar de manutenção urgente, e para provar que à 2 anos o burro ainda tinha as 2 orelhas e que o urso era saudável e não tinha qualquer problema de pele, deixo-vos aqui as provas que reuni na altura:
Voltar à pia do urso é sempre um processo emotivo, pois a 1ª vez que lá fui, foi por ocasião de um dos últimos passeios que fiz com a minha mãe, e é já a 2ª vez que lá volto depois disso na companhia do CPM.
Depois do piquenique, a malta rumou a Fátima, e nós ainda por lá passámos também, mas a confusão era muita, e como eu tenho uma séria alergia a Fátima e outra a multidões, desistimos de parar e rumámos a Vieira de Leiria acabando por nem nos podermos despedir da malta.
Sábado é dia de praça, e como tínhamos uma suspeita de visitas no dia seguinte, acordámos cedo e fomos abastecer a despensa, mas depois de almoço rumámos a Fátima, onde de manhã tinha sido batido um recorde para o Guiness, reunindo mais de 2.300 motorizadas clássicas no santuário.
Ainda chegámos a tempo de ver e fotografar algumas beldades,
e também algumas caixas de esmolas…
…não gosto de Fátima!
No dia 12, tal como tinha dito no CPM, estivemos entre as 10:00 e as 11:00 numa das esplanadas da praia, mas a malta da zona centro é tímida e não apareceu ninguém apesar de estar um belo dia.
Depois fomos ao supermercado, e apareceram-nos por lá os companheiros Gonçalves que já conheciam a zona e resolveram juntar-se ao grupo que já nos tinha avisado que viriam dar-nos o prazer da sua companhia ao almoço.
Foi muito fixe, porque eu e a cozinha não somos nada amigos, e assim arranjei cozinheiro para a caldeirada que tinha previsto para a malta, e ficou muito boa!
A Paula andou em trabalhos forçados, a limpar o quintal que estava ao abandono desde Outubro… tão depressa não vai querer lá voltar…
Depois de almoço fomos mostrar algumas vistas da zona aos companheiros, e depois acompanhámo-los até perto da Nazaré.
Segunda-feira foi dia de preguiça.
Andámos pela praia de manhã, e quando estávamos no supermercado a decidir o que levar para o almoço, ligaram-nos os companheiros Marques a dizer que estavam a 130 km de distância.
Como 2ª feira não é dia de peixe, optámos por uma grelhada mista de carnes de porco, já que Vieira de Leiria é também uma terra de criação de porcos e a carne é muito macia e gostosa, e passámos a tarde em companhia dos sempre bem dispostos companheiros Marques.


No dia seguinte, acordámos tarde, e fomos até à praia tomar café antes de almoço, mas acabámos por almoçar por lá e andámos a passear no areal, e como as traineiras andavam na faina, resolvi fotografar uma faina completa.
Só que,… enquanto que antigamente a volta da traineira era pequena, e pouco demorada pois as redes também não eram grandes, porque eram puxadas a força de braços e bois, agora existem os tractores, e as redes são enormes, e a volta da traineira é também grande e muito mais demorada.
Assim, a faina durou a tarde toda, e acabámos por adormecer ao sol à espera…
Digamos que consegui o que queria, e fotografei tudo, mas tão depressa nenhum de nós vai esquecer, pois o escaldão que apanhámos vai ficar-nos na memória por muito tempo, e como estava vestida mas com as calças arregaçadas, fiquei com um verdadeiro “fato alentejano” marcado no corpo, e agora parece que estou de meias calçadas!!
As dores acompanharam-nos o resto das férias...
Quarta-feira partimos com destino a Foz Côa, que ainda nenhum de nós tinha visitado.
Como tínhamos uma escapadinha “A vida é Bela” oferecida pela filhota no natal, marcámos alojamento e fomos conhecer as gravuras "que não sabem nadar".
A viagem foi espectacular, e ainda consegui filmar alguns bocados, mas a maior parte do tempo limitei-me a apreciar o lindíssimo trajecto de curvas e contracurvas absolutamente deliciosas de fazer na Zuky.
Mais uma vez o almoço foi um pic-nic à moda antiga à sombra de uma árvore
e já em Vila Nova de Foz Côa deixámos as bagagens na pousada de juventude e fomos marcar a visita ás gravuras para o dia seguinte.
Depois, ainda deu tempo para descer até à margem do Douro, e ainda para fazer a íngreme estrada que nos leva à Foz do Côa, onde ainda existem restos daquela que em tempos foi a estação da CP.
Sem dúvida um belo passeio, e um local que vale a pena visitar.
Acordámos no 7º dia destas mini férias em Foz Côa, na pousada de juventude, e fomos logo de manhã ver as gravuras.
Tivemos sorte, e o guia que nos acompanhou era muito conhecedor, e mostrou-nos o que havia para ver, com explicações realistas, que nos ensinaram muito sem entediar ou deixar em dúvida sobre a autenticidade das conclusões. Excelente profissional!
Ao meio-dia partimos, para mais uma viagem deliciosa, de curvas lindas para fazer de “pijama”, e cada vez gosto mais de andar de maxiscooter.
O destino era Requiás, em Espanha junto à fronteira para visitar familiares e em particular uma prima que recentemente sofreu um AVC, encontrando-se em recuperação.
Ultimamente parece que os deuses andam a distribuir AVCs na minha família, e este foi já o 3º num curto espaço de 5 meses, mas felizmente os 3 afectados estão a recuperar bem.
Requiás é uma bonita aldeia espanhola,
"irmã” da bonita aldeia portuguesa de Pitões das Júnias, onde pernoitámos em casa de familiares.
Acordámos cedo em Pitões, e resolvemos vadiar a pé pela aldeia.
Está tudo muito diferente daquilo que me recordo de 23 anos antes, e do ponto de vista do turista, muito se perdeu, mas há que admitir que para os locais, a vida melhorou muito.
Há 23 anos, encontrei os garotos na rua, com as calças abertas atrás, para que não tivessem que se despir para fazer as necessidades, bastando agachar-se. Tinham as maçãs do rosto cheias de “crostas”, do ranho que limpavam com as mangas, e andavam sujos e descalços pelas ruas, partilhando-a com as vacas que saíam de manhã para o pasto e regressavam sozinhas ao fim do dia para as “cortes”, debaixo das habitações dos aldeões, onde pernoitavam.
A maioria das habitações eram de pedra, e muitas ainda tinham telhados de colmo, e as vacas com longos e assustadores cornos andavam livres pelas ruas, enchendo-as de urina e fezes que se colavam aos sapatos e ás cavas das rodas dos poucos carros que por lá circulavam.
São estas as memórias que guardo da aldeia que hoje é apenas mais uma aldeia turística de Portugal, com antenas de televisão analógica e TDT por todo o lado, onde as cortes do gado deram lugar a modernas garagens que albergam modernas viaturas.
As vacas estão agora reunidas fora da aldeia, em modernos estábulos onde nada falta, e as poucas que ainda circulam pela aldeia ao fim do dia já nem sequer aqueles cornos de dimensões assustadoras ostentam.
O progresso tem destas coisas, e sem dúvida que para os aldeões a qualidade de vida melhorou muito, mas para o visitante, a aldeia perdeu muito do interesse que tinha.
Posso considerar-me privilegiada, porque conheci não só Pitões das Júnias, mas também Piódão ainda em estado “semi-selvagem”…
Já perto do meio dia partimos com destino a Vieira de Leiria onde iríamos pernoitar, e o programa do dia era vadiar sem pressa, encher o olho de lindas vistas, e o cartão de memória da kodak de lindas memórias fotográficas, mas o S. Pedro não esteve pelos ajustes, e ainda em Espanha começou a borrifar-nos com chuva e nevoeiro, que durante todo o dia nos acompanhou.
Até à hora do almoço ainda deu para alguns registos, mas depois do almoço, tive que guardar a kodak, pois o dilúvio que nos acompanhou desde o Gerês até Monte Real não deu tréguas!
Ainda no Gerês tivemos uma desagradável surpresa!
Resolvemos passar a fronteira na Portela do Homem, para fotografar uma cascata onde à 23 anos demos uns mergulhos que nos ficaram na memória, mas quando chegámos à antiga fronteira, já debaixo de muita chuva, lemos uma discreta informação da existência de uma “portagem”, para o pagamento da qual deveríamos preparar o pagamento, e cerca de 200 metros depois, encontramos uma barraquinha, em tudo semelhante à que há 20 anos fomos encontrar no cimo do monte Vesúvio, (depois de uma caminhada de meio dia a pé, a subir em trilho de cascalho), onde sem qualquer aviso prévio nos era exigida uma quantia em dinheiro para espreitar para dentro da cratera.
Pois no Gerês, sem qualquer aviso prévio, e bem ao jeito da máfia napolitana, extorquiram-nos 1,50 € por cada mota para atravessar 3 km de estrada, e ainda por cima nem sequer o direito a fotografar o local nos é reconhecido pois durante os 3 km que cobram é expressamente proibido parar!
Fui lá para fotografar, paguei 3 euros e voltei sem a foto!!!
Ainda me cruzei com uma manada de cavalos selvagens, mas sem poder parar nem sequer nos é permitido apreciar a experiência, paga a preço de ouro! Afinal pagamos o quê? … O ar puro que respiramos? Pensava que isso ainda era gratuito, mas aparentemente ando desactualizada.
Senti-me envergonhada, e assim que tiver disponibilidade irei certamente apresentar reclamação, pois na verdade já não tenho capacidade para absorver mais abusos destes! Sou diariamente assaltada, e não é por aqueles que quando são apanhados, vão a julgamento! Estes ladrões que diariamente e sem qualquer pudor me assaltam, fazem-no a coberto de decretos-lei, e legitimados por uma suposta legalidade, de moralidade duvidosa, e cada vez mais, sem qualquer pudor, como se se tratasse de uma coisa naturalíssima, pedir dinheiro por tudo, e novamente pedir dinheiro por nada!
Afinal, para que serve aquela parcela que todos os meses me retiram do salário, supostamente para assegurar as condições de vida em sociedade?...
Enfim, chegámos a Vieira de Leiria ensopados, depois de um dia inteiro debaixo de chuva intensa, e acabámos por optar pelas auto-estradas portajadas, mais uma vez pagando aquilo que afinal já pagámos com os nossos impostos, mas a falsidade é completa, e alternativas verdadeiras não existem, pois o bocado que ainda fizemos nessas supostas alternativas, só sobrevivemos sem mazelas porque os muitos cabelos brancos que já temos nos dão uma experiência sensorial que só mesmo a experiência de vida pode dar…
Á entrada de uma rotunda, sentimos um forte cheiro a gasóleo, reparámos numa camioneta de caixa aberta “encostada” a um poste, e só deu tempo de desacelerar, sentir as motas escorregar. A minha ia à frente, e ainda andou a dançar, mas felizmente é muito estável, e eu também já conquistei o “nível 1 do kit de unhas” e em vez de me assustar e travar para logo cair, limitei-me a desacelerar, e com o corpo endireitar a mota sem tocar no travão. Consegui contornar a rotunda e passar entre o camião e o candeeiro caído, agachando-me para passar por baixo do fio tombado, e depois seguiram-se alguns km de estrada molhada e com uma faixa de gasóleo perfeitamente visível e cheirável.
Foram km de muita prudência, com enlatados apressados a fazerem-nos razias, sem entender o porquê de avançar-mos devagar e com as luzes de emergência ligadas!...
Felizmente correu bem, mas as fotos acabaram mais cedo do que previsto.